quarta-feira, 2 de julho de 2008

A CIDADE E AS DUAS ÓRFÃS MALDITAS



Já chegou ao público o meu último romance, A CIDADE E AS DUAS ÓRFÃS MALDITAS.

A apresentação aconteceu nos jardins da Rádio Uige, no começo da noite de terça feira, 1 de Julho, dia em que completei, coincidentemente, 30 anos de carreira jornalística. Carreira que ,como os meus amigos sabem, começou precisamente na Rádio Uige.

O evento foi,por isso mesmo, um misto de evocação e compromisso, lembrando com lágrimas nos olhos (meu editor chorou ao falar de Kende David, nosso mestre no começo do nosso percurso de homens de Rádio) tempos passados , e deixando a promessa de que o Uíge nunca será abandonado, e sempre que pudermos, aqui estaremos para elevá-lo.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

MEU NOVO ROMANCE : REPERCUSSÃO NA MÍDIA





Escritor Luís Fernando lança


´´A Cidade e as Duas Órfãs Malditas``






Luanda, 30/06 -ANGOP- O escritor e jornalista Luís Fernando lança terça-feira, pelas 18h00, nos jardins da Rádio Uíge, província do Uíge, o seu mais recente trabalho literário intitulado "A Cidade e as Duas Órfãs Malditas".


A obra, a ser lançada com o selo da Editorial Nzila, está inspirada num episódio histórico que sacudiu a sociedade luandense da segunda metade do século XIX, quando duas pequenas órfãs infectadas de severa moléstia sexual contaminaram respeitáveis cavalheiros, abalando a moral pública e deixando a governação à beira de um ataque de nervos por não existir um asilo que as pudesse acolher.




Os munícipes de São Paulo de Assumpção de Loanda mobilizaram-se numa gigantesca campanha de recolha de fundos, que permitiu a edificação de um lar para órfãs desvalidas e que foi baptizado como Recolhimento Pio D. Pedro V.




Contada em 147 páginas, a estória é salpicada de humor e desencontros improváveis, perpassada sempre pela atmosfera da época, onde pontificavam a desfaçatez dos charlatães multiofícios sempre prontos a vigarizar incautos e os ruidosos desencantos dos habitantes da urbe com os críticos serviços camarârios: sofrível recolha do lixo, energia eléctrica periclitante e abastecimento de água caótico.




O romance será apresentado pelo sociólogo Laurindo Vieira e servirá também para marcar os 30 anos da carreira jornalística de Luís Fernando, iniciada exactamente no dia 1 de Julho de 1978 na então Emissora Provincial do Uíge da Rádio Nacional de Angola.




Nascido em 1961, na província do Uíge, Luís Fernando é licenciado em Jornalismo, pela Universidade de Havana, Cuba, e é autor de seis livros, com destaque para "90 Palavras", "A Saúde do Morto", "João Kyomba em Nova York" e "Clandestinos no Paraíso".

domingo, 29 de junho de 2008

RECUPERANDO VELHOS ESCRITOS





No dia do jogo, o diretor do Jornal de Angola, Luís Fernando, escreveu: "É como se a nação, renascida de um torpor de séculos, se reencontrasse hoje. Como se tudo o que vem de trás não contasse mais. Uma espécie de antes e depois frenético a separar os tempos, numa loucura contagiante que só se consegue por via do feitiço genial do futebol".



LIVROS, LIVROS, LIVROS.....



Editorial Nzila lança obra de Fragata de Morais


Fonte: Angola Press - Editado por AD
23 January 2008


A editorial Nzila vai proceder ao lançamento, na próxima quinta-feira no Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), em Luanda, do último livro de Fragata de Morais intitulado “Memórias da Ilha”. O lançamento é feito em alusão ao dia 25 de Janeiro, Dia da Cidade de Luanda, e terá a apresentação do jornalista Luís Fernando.
De acordo com o prefácio do livro, a obra é uma colectânea de crónicas que reflectem em termos abrangentes o que se passou a partir de Março de 1991, sua primeira crónica da era do multipartidarismo, a Fevereiro de 2004, seguindo uma ordem cronológica.Retractam o que o autor observou e sentiu sob o ponto de vista interpretativo de quem naturalmente “atrai a brasa à sua sardinha”. «Não há incongruência no gesto, o cronista para além de relatar o circunstancial igualmente busca nele o ângulo pessoal que apresenta ao pública, a maior parte das vezes o "seu" público"», lê-se no prefácio.Manuel Augusto Fragata de Morais, nascido na província do Uíge a 16 de Novembro de 1941, fez os seus estudos em Angola, Portugal, França (Universidade Internacional do Teatro) e Holanda (Academia de Cinema Holandesa).Colunista do Jornal de Angola, cuja recolha está na origem da presente colectânea de “Memórias da Ilha”, é ainda autor de "Como iam as velhas saber", "A Selva", " Inkuna Minha Terra", "Jindunguices", "Momento de Ilusão", "Amor de perdição", "Antologia panorâmica de textos dramáticos", "A sonhar se fez verdade" e "A Prece dos mal amados".

Última Actualização ( Wednesday, 23 January 2008 )


Clandestinos no Paraíso no hall da RNA

26-08-2005


“Clandestinos no Paraíso” é o título do romance do jornalista e escritor Luís Fernando a ser apresentado esta sexta-feira, no hall da Rádio Nacional de Angola, em Luanda.
O romance ficcionado tem como base a cidade de Luanda e conta as peripécias de um homem, Alegria da Costa, que fruto de uma mudança no seu estatuto social, devido a causas desconhecidas, deixa de prestar a atenção devida à família, particularmente à sua esposa, Dorita Pacheco.


As traições e tramas amorosas no seio do casal são o tónico principal deste novo romance, com 161 páginas, o segundo de Luís Fernando.


“Clandestinos no Paraíso” conta com uma tiragem inicial de 2.500 exemplares, e será comercializado a 15 dólares ou o equivalente.

in Site da Rádio Nacional de Angola

NA HORA DA POLÍTICA



MPLA apresenta responsáveis para a

preparação das eleições




Luanda, 29/05 - O Comité Provincial do MPLA em Luanda apresentou quarta-feira a noite a sua comissão responsável pela preparação das próximas eleições legislativas, previstas para Setembro do corrente ano.A apresentação da estrutura decorreu no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, localizado no município do Rangel, durante um encontro de confraternização com jornalistas de diversos órgãos de comunicação social do país.A comissão é coordenada pelo primeiro secretário provincial do MPLA em Luanda, Bento Bento, coadjuvado por Maria Carolina Fortes, que responde também pela área de acção política, onde é assessorada por Maria Antonieta Baptista.

A área das finanças será atendida por Jesuino Silva e Gomes Cardoso, a da logística por Maria Catarina e Alberto Marques Domingos, enquanto a de preparação e organização de evento por Adriano Mendes de Carvalho e Albino da Conceição.Manuel Augusto Fragata de Morais e Manuel de Carvalho "Wadijimbi" irão trabalhar na área de aliança e administração. Já Manuel Teodoro Quarta e Solange Machado atenderão as questões jurídicas e relações públicas.


O comité escolheu para mobilização de massas Manuel Francisco Bernardo e Elias de Carvalho. A agitação e propaganda está a cargo de José Bandeira da Costa, enquanto o asseguramento de comunicações de Júlio de Carvalho.Os membros do MPLA Júlia Ornelas e João Afonso Sampaio serão responsáveis pelo secretariado, enquanto a área de Marketing Político estará com Manuel Mariano.O Gabinete de Imprensa será coordenado por Luísa Damião, coadjuvada por Albino Carlos, ambos membros do comité de especialidade dos jornalistas.Na cerimónia, presidida por Bento Bento, na qualidade de primeiro secretário do comité provincial, foram apresentados os responsáveis pelos grupos alvos de eleitores.Assim, Malaquias Pedro responderá pelos antigos veteranos e combatentes de guerra, Maria da Conceição Kaposso para os mercados, pequenos comerciantes e zungueiras.


Manuel Sebastião, Mariana Afonso e Adelino Kachalandala prestarão atenção às igrejas e aos médicos e enfermeiros , respectivamente.Para a juventude estão indicados Ana Bela dos Santos e Baltazar de Oliveira, enquanto nas mulheres estão Eulália Rocha e Genoveva Lino.Já a educação está a cargo de Domingos Vieira Dias Tomás e Adriano Patrocínio. Costa Gabriel e José Luís responderão pelos taxistas e empresas de transportes.


Luís Fernando prestará atenção aos jornalistas e Sianga Abílio e Domingos Tomás ao empresariado. A área rural e entidades tradicionais está a cargo de Dulce Nginga e Leonel Mateus.António Manuel Fiel Didi e Júlio Bessa responderão pela associação de amigos e pelo governo, respectivamente.
in AGENCIA ANGOLA PRESS - ANGOP

CRONICANDO NO JORNAL DE ANGOLA


Segurança privada e seus dilemas


por Luís Fernando



Surgiram na febre dos negócios privados que nasceram,como cogumelos,nos célebres tempos do abraço ao capitalismo. Ou, para usarmos a linguagem que se ajusta à época,vieram com a economia de mercado. Era moda, quase. Como as rolloutes.As empresas de segurança,delas falamos,ocuparam um espaço que revolucionou o meio.Passamos a contar com elas ao matabicho e ao jantar. Tornaram-se omnipresentes.Não há ponto da cidade (Luanda é o limbo delas) onde não se vejam os novos homens em armas.Como microscópicos exércitos. À entrada de edifícios, à porta de lojas, de instituições públicas. Nas cantinas, é hábito vê-los sentados ao fundo. De AKM em punho. Posição de ataque, quase.


Claro que aquilo que começou como uma novidade festiva, um dia tinha que fartar. E assim aconteceu de facto. Sobretudo depois que o transporte e escolta de valores (dinheiro) entrou para o “objecto social” dessas empresas. Muniram-se de viaturas blindadas e a segurança dos dinheiros alheios passou a exigir a intervenção de mini-exércitos. E a cidade encheu-se de mais sirenes, de mais armas e mais sustos. O trânsito, já de si problemático, ganhou um novo factor de caos. Os apressados “seguradores” queriam é passar, passar e acabou-se! Terá sido aqui que começou o coro de reclamações e protestos em torno desta actividade. Os primeiros pronunciamentos da Polícia a prometer nova conduta e nova postura ouviram-se então. Certo é que nunca foi o negócio da protecção de vidas e bens considerado pernicioso. Nem uma espécie de patinho feio da nova realidade, a do capitalismo emergente. De que se queixam autoridades e cidadãos é dos excessos. Porque todos reconhecem que as empresas de segurança projectam-se como auxiliares da Polícia Nacional na preservação da ordem, na manutenção da tranquilidade. A simples presença de um vigilante num local inibe a ousadia do delinquente. É óbvio.


O debate saiu à rua. Está na ordem do dia. Qualquer coisa precisa de mudar. A começar, se calhar, pelo poderio bélico concentrado em mãos das empresas.Já quase Exército Nacional e empresas de segurança não diferem.Pelo menos no que toca a armas individuais de infantaria. AKM de um lado e AKM do outro.Já só faltam, quase, canhões e tanques. O quem é quem impõe-se, portanto, diante desta promíscua convivência. As autoridades, nisto, estão claras: não se pode continuar a olhar, com indiferença, para esta realidade.É desejável, mais do que isso, fundamental, que o poder de fogo reunido pelas empresas de segurança seja reduzido. Para que não se quebre a proporcionalidade admissível entre público e privado, entre o Estado e os governados.No plano das relações institucionais, é esse o cenário. Que anda de estudo em estudo, de opinião em opinião.Cá abaixo, na realidade prática do dia a dia, as urgências, os dilemas e os conflitos são de outra natureza. Bem mais terrenal, pouco a ver com a filosofia, com legalidades, com normas de coabitação no espaço de todos nós, que é a Nação. Do que se fala aqui é da barriga dos empregados.


Milhares de homens colocados nessas empresas raramente dizem que ganham bem. Queixam-se dos salários. Dizem que são de miséria. Para sustentar verdadeiras barrigas de fome.Falam disso a medo. Sussurrando quase ao ouvido do repórter, não vá o diabo tecê-las. Quatro mil kwanzas é o que ganham alguns, quando ainda por cima sabem que pela sua cabeça o “patrão” factura folgadamente. Muitas vezes dois mil, três mil dólares. O que lhes vai parar ao bolso,como migalhas caídas de mesa de rico, são míseros quatro mil kwanzas.Vê-se neles revolta e inconformismo. Não poucas vezes, partem para soluções muito suas. Participam, em cumplicidade criminosa, nos roubos de que são alvo as empresas que era suposto protegerem. E depois somem. Ninguém mais os vê.O fim bizarro de uma relação laboral totalmente contrária ao que recomendam os gurús da gestão moderna. O conceito de empresa feliz não mora aí. Aquelas em que os trabalhadores são bem pagos, tratados como gente, para se sentirem parte do negócio, família, educados até para tolerarem provações como atrasos de salário, pedidos de ajuda indeferidos ou contrariedades de outro tipo.Sente-se que existe um desapoio a esses homens que encontraram nas empresas de segurança uma espécie de tábua de salvação. Porque,sejamos honestos,também não é muito o que em regra podem dar,em matéria de competências intelectuais.Quase sempre a tropa no ontem tenebroso roubou--lhes tempo e oportunidade para a aprendizagem. Domínio de ofícios não é coisa de que se possam gabar amiúde.


O conhecimento e a arte do gatilho é o pouco que resta. E os empregadores sabem disso. Instala-se uma espécie de ciclo de chantagem. Paga-se pouco porque ele precisa, necessita. Se estiver inconformado, abandona. E se abandona, outros quererão o lugar. E a dança fica por anos nesse desiquilibrado compasso. Uma verdadeira injustiça aos olhos de todos. Por isso, este tema é de soberba actualidade.